Imagem Poesia e Psicodelia

Dividido entre dois ou três clichês

deixo que a fumaça do café tire o sono,

junto com um risco rápido na mesa.

Uma olhada na janela procura a lua,

ou qualquer elemento p(ó)(é)tico.

Dançando nu com as palavras,

nenhum outro sentido além.

Além do ser e além da consciência;

desconfigurado e deflorado em versos pouco lúcidos.

Brotando incoerentes os versos,

perdido entre a falta que a poesia faz 

e o limbo onde anda a cabeça.

Duas pilhas de papel amassado

e dois copos de uísque vazios. 

Já foi escrito em quantos e quantas

linhas a falta de nexo da vida

e seus entrelaços luxuriosos com o tempo.

Eu quero no tempo que resta

respirar a linha dos poemas nas costas brancas.

Disfarçada num sorriso;

uma tempestade de verso, rima e prosa.

Improvável, impossível, impulsivo e perigosamente viciante.

De quina com o vento

um vórtice verde de tempo e espaço.

Hora ou outra o tempo deixa escapar;

uma ou outra brincadeira do passado;

e um jeito de ver a vida de outro jeito.

Dou graças ao tempo por ter passado,

pra mim e pro mundo.

Deslizando fácil morro abaixo

a neve congela a ponta do nariz,

enquanto o sol nasce atrás do morro.

Mesmo com o garganta amarga,

o mundo gira e volta doce;

em um estalo enquanto as linhas

se arretam no espelho.

Dois ou três segundos e 

a(s) letra(s) se forma(m);

sem pauta e sem régua.

Um vício que complementa outro;

a vontade de que fica 

quase mata.

A neve tardou,

não falhou e encaixou-se 

em veias abertas em crise.

A pele sente a dor que relaxa,

enquanto rasga ininterruptamente em preto e cinza.

Em cada fenda da memória

três ou quatro esqueletos jazem,

com um copo e um canudo nas mãos.

Debaixo da cama dois 

ou três monstros adormecidos;

esperando algo sair do guarda-roupas

para acorda-los.

E a neve veio….