Imagem Poesia e Psicodelia

Um grão de areia pesou o peito,
na boca o sabor agridoce do tempo;
. (de tempos em tempos)
Derretendo uma capsula do vento,
ainda tentando lutar por dentro.
Corroendo papel e tinta
a poesia não sei se resiste ao tempo.
Quantos versos se perderam
amassados no fundo de alguma lixeira.
Cada verso e seu amor,
cada um com seu destino.

Abro o peito em verso,

reverto um processo e me calo.

Explodo pra dentro,

viro poeira de estrela;

só o pó de Poeta.

Sopro o que sobra na travessa,

esquento um prato de vidro limpo.

Uma ou duas agulhas 

e o vicio colore a pele;

e a ponta amarela dos dedos.

Me desfaço em tintas, fumaça e poesia.

Um incenso da o toque final,

limpeza por dentro e por fora.

O vento encana e a brisa

toma conta do final de domingo.

Uma prece pra lua

e um pedido solto no vento.

A lua me sorri em quadros enquanto

me perco em duas ou três estrofes.

Pouco batuque para muito pedido,

deixo uma flor, água de cheiro e uma baforada.

Quem sabe amanhã vou à praia.

Cheiro de eucalipto e fogueira,

o sol cai no mangue sem pressa.

O braço esfria com o ar encanado

entre árvores e prédios.

.                      (o cinza predominando)

O paraíso já foi verde,

com brisa de mato fresco;

A sala de casa está quente,

quase claustrofóbica,

convidativa para um mergulho.

Em um copo de vodka,

dois ou três versos 

e dois rolos de fumaça.

O vento frio invade a sala

e em segundos esfria a fumaça densa.

O relógio some atrás da neblina,

enquanto nos olhos um caleidoscópio desfocado.

.

O teto branco se transforma em flor,

ou em várias flores dentro uma das outras.

Habilmente desenfreada a mente brinca

com fotos e versos brotando na ponta dos dedos.

.

Disperso do mundo e do chão

o corpo inerte;

o dedo queima e deixa a caneta cair.

.

O vento espalha alguns papéis 

enquanto o cabelo faz falta,

é o tempo voando…