Imagem Poesia e Psicodelia

Mesmo com o garganta amarga,

o mundo gira e volta doce;

em um estalo enquanto as linhas

se arretam no espelho.

Dois ou três segundos e 

a(s) letra(s) se forma(m);

sem pauta e sem régua.

Um vício que complementa outro;

a vontade de que fica 

quase mata.

A neve tardou,

não falhou e encaixou-se 

em veias abertas em crise.

A pele sente a dor que relaxa,

enquanto rasga ininterruptamente em preto e cinza.

Em cada fenda da memória

três ou quatro esqueletos jazem,

com um copo e um canudo nas mãos.

Debaixo da cama dois 

ou três monstros adormecidos;

esperando algo sair do guarda-roupas

para acorda-los.

E a neve veio….

Deprimente como os dias que

nascem sem motivo pra rir;

um copo de café que azeda

em uma sexta feira chuvosa.

Azar é mato! Ou serão

só consequências do tempo?

Dois ou três dedos estralados,

de quantos no gatinho?

Cinco ou seis riscos,

na coronha e em cima do espelho.

O corpo treme 

e acorda embriagado 

num beijo longo.

Perde a roupa no sorriso

dissimulando inocência

encharcado de malicia.

Um quebra cabeças por dentro

e a simplicidade nua

no chão da sala;

sem tempo/vontade de chegar até o quarto.

No chão o que sobra do pacote, 

um copo quase vazio e duas pontas.

O cheiro do quarto deveria ser envasado;

vinho, sexo e fumaça.

A garganta amarga,

duas fichas e uma bala na mesa.

Vale dois cigarros, uma dose

e enquanto o corpo treme;

eu aposto duas fichas em overdose.

O corpo pulsa a vontade,

de um sorriso e um gemido;

um outro trago atrás do cheiro com o nariz congelado.