Vejo fores coloridas

em fotos em fotos preto e branco.

Desenhos colados nas paredes

desatados de mentes.

Em cada linha vejo amor,

inocente, puro.

Descrevo o tempo passando,

com poucas saudades, 

como a das linhas.

Linhas curvas de paredes nuas

e linhas retas de mulher desenhada.

Apaixonado, era após era,

embriagado das mesmas drogas

arte, paixão e desejo.

1 note

O cheiro,

o que o dia tem.

Dia com cheiro de flor,

de tédio e de sexo.

Cheiro de mato queimado

e leite condensado.

Caixa de filme,

com cheiro de dia tedioso.

Ah outono,

meu amor e meu ódio,

pelo meu feriado de ócio.

Dois ou três,

pulos e tiros.

Em cima da mesa

uísque e um charuto.

A neve desce pelo céu azul,

o nariz frio e o corpo quente.

Tantas músicas

e imagens

sem nexo.

Só sexo ,

e alguma outra droga

ou muitas delas.

Esperando o próximo verso,

junto com o fim da garrafa.

O vinho ficou branco

os olhos vermelhos;

a embriagues é eminente,

apos linhas e linhas na mente

Despejando amor e ódio

destilados em veneno.

Uma ou outra gota 

e um corpo.

Um mundo infinito

de venenos e outros mundos.

Tão viciantes quanto a poesia que me agarro.

O que mudou?

Mudou o mundo, mas não o medo.

Medo que não dói,

tão natural, quase instintivo.

As veias frias,

os olhos mornos;

poetizando na mudança da lua.

Mudou a sinestesia do vento,

mas não o vento,

mudou a maciez do som

e não o timbre do medo.

Foram e vieram cores

e as lentes em P&B ficaram.

A poesia é a mesma a milênios;

a diferença é que o poeta a encontrou.