Os olhos verdes espreitam

enquanto o vento anuncia sua presença.

O sorriso ansioso e sínico da lua

e o cheiro do mar tão próximo intrigam a mente.

Uma ou outra curva um dos recados,

bem entendidos diga-se de passagem.

A presença confirmada pela gata preta,

sim me observa desde que cheguei.

A fumaça das fogueiras lembram um ritual,

naqueles onde há fogueiras e danças.

A sacerdotisa observa ao longe,

da sua janela inspira e sopra seus encantos.

Um carinho atrás da orelha,

que deveria ser para ela e sua mensageira se vai.

Pulando de um telhado em outro,

enquanto espero que o vento conte a ela. 

Os traços subentendidos debaixo da pele,

fazem um caminho seguido de perto

pela ponta dos dedos.

Poetizo a cor da pele,

.                      (ou a falta dela)

e acompanho os dedos na sua busca por um desenho.

A unha atravessa a pele,

e rasga o lençol.

A mão estrangula o travesseiro,

enquanto os olhos somem rumo a outra órbita.

Os dedos escorregam no suor arrepiado,

e descansam sobre o quadril que se contorce.

O gosto ácido e alucinógeno,

escorre no canto da boca como veneno.

O vento vem frio,

enquanto o corpo esquenta.

A língua enrola no meio da neblina,

e a lua sorri pra mim no céu.

Difícil escrever em movimento,

mas basta pensar e poetizar.

Os sonhos tem gosto de nuvem,

daquelas coloridas no fim do dia.

A chuva passou finalmente,

o céu amanheceu azul anunciando o desespero da distancia.

Um outro rolo de fumaça

o vento grita por você, a janela treme…

“Mais que palavras”, grita um hino,

tão próprio e forte quanto a velha La Marseillaise.

Cantado a todos os ventos e seres,

queima nos dedos de quem toca.

.

Observo boquiaberto outro solo,

com destreza e leveza.

Leveza servindo quase de contraponto,

a forma da casca dessa alma.

.

Queimo a ponta do dedo imaginando palavras

que pulam das cordas.

O brilho infantil de um menino solando seu brinquedo.

.

Os rifs pesados se complementam a doçura do ser.

Abençoado por Jah o dom flui e se espalha,

deixando rodas e até dias mais felizes com um acorde.

A cama engole meus pesadelos,

três ou quatro traumas

e um gole de álcool ajudam.


- Três copos por favor?!

- mas o senhor está sozinho…

- Apenas traga


Confundo cores e números,

não sei quem sou,

quem dirá quantos.

Destilo veneno com vodca,

com frio não precisa de gelo.

O nariz esfria,

mesmo o prato estando quente.

Cada um na sua arte,

todo pequeno detalhe define o querer.

As paredes se fecham,

e o banheiro é pequeno demais para minha navalha.

Reconheço uma das caras no espelho,

ainda sou igual, mil palavras na boca

e outras mil a te escrever.